
Horta em vasos, varandas, janelas e muros · 7 capítulos
Uma horta na varanda
Plante comida em pouco espaço: vasos, horta vertical, rega por pavio, temperos, frutos e microverdes
Sobre o guia
Um curso para quem quer plantar comida em pouco espaço: como ler o sol e a segurança da varanda, que recipiente usar e quanto de terra cada planta precisa, a horta vertical de garrafas da Embrapa Pantanal, a rega certa e o vaso que se rega sozinho, os temperos da janela, os frutos na varanda e a polinização do tomate, e os microverdes, a horta que fica pronta em poucos dias.
O espaço que você tem
Voz gerada por IA.
Muita gente acha que horta precisa de quintal. Não precisa. A Embrapa Hortaliças mantém desde 2004 um programa de hortas em pequenos espaços pensado para quem mora na cidade, e a conclusão é simples: corredores, varandas, sacadas, janelas, terraços e garagens podem produzir comida. Este curso é o passo entre o vaso de planta na sala e a horta no chão. Neste capítulo, você vai olhar para o seu espaço com olhos de quem planta.

A regra das cinco horas
A condição principal, segundo a Embrapa, é que o lugar tenha sol em pelo menos um período do dia, cerca de cinco horas, além de boa claridade. Não precisa ser sol o dia inteiro: uma varanda que pega a manhã toda já serve para folhas e temperos. Para descobrir quanto sol o seu espaço recebe, observe num dia comum: anote a hora em que o sol chega ao lugar dos vasos e a hora em que vai embora. Faça isso de novo em outra estação, porque no inverno o sol fica mais baixo e a sombra dos prédios muda.
No Brasil, as varandas viradas para o norte costumam ser as mais ensolaradas o ano todo. As do leste recebem o sol mais fresco da manhã, ótimo para hortaliças. As do oeste pegam o sol forte da tarde, que pode queimar folhas delicadas no verão. As do sul são as mais sombreadas, e ali vale apostar em salsinha, cebolinha e hortelã.
Cada lugar, um jeito de plantar
Na janela, um peitoril largo ou um suporte do lado de dentro acomoda três ou quatro vasos de tempero. Na varanda, dá para usar o chão e as paredes. No muro do quintal ou do corredor, vasos presos e calhas transformam a parede em canteiro. E a laje ou o corredor externo, que muitas vezes pegam sol o dia inteiro, aceitam baldes e caixotes maiores, até para tomate.
Segurança vem antes do primeiro vaso
Plantar no alto pede cuidados que o quintal não pede. Vaso que cai de um andar alto pode machucar gravemente quem passa embaixo, então nada fica solto em cima do parapeito. O que fica pendurado precisa de suporte firme, preso na parede. Nos andares altos venta mais: prefira plantas baixas e deixe os vasos pesados no chão.
Também pense no peso. Cada litro de água pesa um quilo, e um vaso regado pesa bem mais que o mesmo vaso seco. Algumas jardineiras grandes cheias de terra molhada chegam a dezenas de quilos. Distribua o peso, deixe os maiores perto das paredes e, antes de instalar canteiros grandes, converse com o síndico: muitos condomínios têm regras para a fachada e para furos na parede.

Você sabia?
Segundo a Embrapa Hortaliças, numa horta em pequenos espaços as plantas podem ficar mais próximas: o espaçamento recomendado é cerca de 70% do usado num canteiro convencional. Com rega e adubo em dia, um vaso bem cuidado produz como um pedaço de canteiro.
Na prática
Faça o mapa de sol do seu espaço:
- Escolha um dia comum e anote a hora em que o sol chega e sai do lugar dos vasos.
- Marque os cantos com sol de manhã, sol à tarde e sombra o dia todo.
- Confira a segurança: onde os vasos ficam firmes, sem risco de cair, e onde a parede aguenta um suporte.
Fontes
- Clemente, F. M. V. T.; Haber, L. L. (ed.). Horta em pequenos espaços. Embrapa Hortaliças, 2012.
- Prefeitura de Curitiba, Unidade de Agricultura Urbana. Hortas em pequenos espaços. Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba, 2018.
Teste rápido
1 de 3Quanto sol a Embrapa indica para uma horta em pequenos espaços?
O vaso certo
Voz gerada por IA.
Na horta de vaso, o recipiente é o canteiro. Ele decide quanta terra e quanta água a planta tem, e por isso escolher bem o vaso evita metade dos problemas. A boa notícia é que quase tudo pode virar vaso, inclusive coisas que iriam para o lixo.
Fundo de pelo menos 20 centímetros
A Embrapa Hortaliças recomenda que, seja qual for o recipiente, ele tenha cerca de 20 centímetros de profundidade de terra. Isso basta para temperos e folhas como alface, rúcula, salsa e cebolinha. As raízes, como rabanete, beterraba e cenoura, pedem mais: a Unidade de Agricultura Urbana de Curitiba indica pelo menos 25 centímetros de terra. Já os frutos, como tomate, pimenta e berinjela, ficam melhores no maior recipiente que couber no seu espaço, porque formam plantas grandes e bebem muita água.

O que pode virar vaso
A Embrapa lista uma série de recipientes para hortas em pequenos espaços: garrafas PET cortadas, canos de PVC largos, de 200 ou 300 milímetros, abertos ao meio como calhas, baldes, latas de 1 a 20 litros, potes grandes, tambores e caixotes de madeira com uns 20 centímetros de fundo. Basta lavar bem. A Embrapa também cita pneus cortados, mas, se usar, deixe o pneu cheio de terra e sem cantos onde a água da chuva fique parada, por causa do mosquito da dengue.
Em todos eles, a regra que não muda é ter furos no fundo. Sem saída, a água da rega se acumula, falta ar para as raízes e elas apodrecem. Se o recipiente vai ficar dentro de um cachepô ou num prato, esvazie a água que sobrar depois da rega.

Barro, plástico ou madeira
O vaso de barro respira: perde água pelas paredes, o que ajuda quem rega demais e atrapalha quem esquece de regar ou mora num lugar quente e com vento. O plástico segura mais a umidade e é leve, ótimo para pendurar, mas os escuros esquentam muito no sol. A madeira isola bem a terra do calor; dura mais se for forrada por dentro com um plástico furado no fundo.
A terra do vaso
Terra de vaso precisa ser mais fofa e mais rica que terra de jardim, porque as raízes não têm para onde ir. Você já viu isso no curso Verde dentro de casa. Para a horta, a Agricultura Urbana de Curitiba sugere terra solta e sem torrões, com esterco bem curtido, seco e sem cheiro: cerca de 250 gramas de esterco de boi, ou 50 gramas de cama de frango, para cada 10 litros de terra, mais umas três colheres de sopa de calcário para corrigir a acidez. Composto caseiro e húmus de minhoca também funcionam muito bem.
Você sabia?
A Embrapa recomenda deixar as raízes e os tubérculos de fora da horta em pequenos espaços, a não ser que você tenha recipientes fundos. Além de pedirem mais terra, eles costumam demorar mais para ficar prontos do que folhas e temperos.
Na prática
Monte o seu primeiro canteiro de vaso:
- Escolha um recipiente com pelo menos 20 cm de fundo e faça furos no fundo, se ele não tiver.
- Prepare a terra com composto, húmus ou esterco curtido, bem misturados.
- Encha até dois dedos abaixo da borda, para a água da rega não transbordar.
Fontes
- Clemente, F. M. V. T.; Haber, L. L. (ed.). Horta em pequenos espaços. Embrapa Hortaliças, 2012.
- Prefeitura de Curitiba, Unidade de Agricultura Urbana. Hortas em pequenos espaços. Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba, 2018.
Teste rápido
1 de 3Qual profundidade de terra a Embrapa recomenda para hortas em recipientes?
Plantar para cima
Voz gerada por IA.
Quando o chão acaba, a horta sobe pela parede. A horta vertical aproveita muros, grades e paredes da varanda e multiplica o espaço de plantio. Neste capítulo você vai conhecer um modelo simples criado na Embrapa Pantanal e outros jeitos de plantar para cima.
A coluna de garrafas da Embrapa Pantanal
Na Embrapa Pantanal, em Corumbá, uma horta vertical feita de garrafas PET produz alface sem agrotóxicos, com pouco espaço e pouca manutenção. As garrafas têm o fundo cortado e são encaixadas umas nas outras, gargalo dentro de garrafa, formando colunas cheias de terra presas a arames esticados entre postes. Cada coluna tem nove garrafas, e a de cima é diferente: fica inteira, tampada e cheia de água, com furinhos de agulha perto da tampa para gotejar e um ou dois furos na base para entrar ar. Assim a água desce devagar pela terra.

Os detalhes fazem diferença. As garrafas são pintadas de branco para a terra não esquentar demais. A primeira garrafa, a que fica no chão, mantém a tampa, para segurar a umidade. Nos lados, abrem-se janelinhas de 3 a 4 centímetros, deixando um lado preso para a muda se apoiar. A equipe recomenda montar a estrutura no sentido norte-sul, para que as plantas recebam sol de manhã de um lado e à tarde do outro. E uma ideia esperta: levar a água do ar-condicionado até as colunas por uma mangueira furada.
Outros jeitos de subir
Nem toda horta vertical precisa de garrafas. Calhas ou canos de PVC abertos, presos em fileiras na parede, recebem alface, rúcula e temperos. Uma prateleira em degraus, como uma escada, deixa cada vaso pegar sol sem fazer sombra no de baixo. Uma treliça de madeira ou bambu serve de apoio para plantas que sobem sozinhas, como vagem, pepino e chuchu, num vaso fundo no chão. E os vasos pendurados, leves e bem presos, são bons para morango e temperos.

Cuidados da parede verde
Os vasos pequenos da horta vertical secam rápido, principalmente no alto, onde bate mais vento. Por isso o gotejamento ou um sistema de rega por baixo ajuda muito, como você vai ver no próximo capítulo. Proteja a parede da umidade com um plástico ou uma placa atrás dos vasos. E lembre que as plantas de cima sombreiam as de baixo: deixe embaixo as que aceitam menos sol, como salsinha e hortelã.
Você sabia?
Segundo a equipe da Embrapa Pantanal, mesmo três dias sem regar, as verduras da coluna de garrafas sofrem, mas a produção não se perde, porque o próprio sistema se mantém úmido.
Na prática
Planeje a sua parede verde:
- Escolha a parede que recebe mais horas de sol e onde dá para prender um suporte com segurança.
- Decida o modelo: calhas, degraus, treliça, vasos pendurados ou coluna de garrafas.
- Comece com uma fileira só e acrescente as outras quando a rotina de rega estiver tranquila.
Fontes
- Lennon, S. (Embrapa Pantanal). Horta doméstica reaproveita materiais e produz alimentos agroecológicos. Agrolink, a partir de notícia da Embrapa, 2016.
Teste rápido
1 de 3Na coluna da Embrapa Pantanal, para que serve a garrafa de cima?
A rega e o vaso que se rega sozinho
Voz gerada por IA.
O maior inimigo da horta de vaso é a rega. Vaso pequeno seca rápido no verão, e quem viaja no fim de semana volta para encontrar tudo murcho. Por outro lado, quem rega demais afoga as raízes. Neste capítulo você vai aprender quanto regar e conhecer o vaso que se rega sozinho.
Quanto regar
A Embrapa Hortaliças dá uma referência para hortas em pequenos espaços. Na fase de sementes e mudas, a rega é duas vezes ao dia, no amanhecer e no fim da tarde. Plantas jovens recebem água uma vez ao dia, e as adultas, de quatro a cinco vezes por semana. Em dias muito quentes, rega-se todo dia, de manhã e à tarde, conforme a necessidade. A Embrapa lembra também que a água da horta precisa ser limpa, porque muitas hortaliças são comidas cruas.

Essa tabela é um ponto de partida. O vaso de barro, o vento da varanda e o calor do seu lugar mudam tudo. Por isso, antes de regar, enfie o dedo na terra: se a dois dedos de fundo ela ainda estiver úmida, espere. Regue devagar, na terra e não nas folhas, até a água começar a sair pelos furos.
O vaso que se rega sozinho
O vaso autoirrigável tem um reservatório de água embaixo e a terra em cima, sem as duas se encostarem. Um pavio, que pode ser um cordão de algodão ou uma tira de tecido, liga o fundo do reservatório à terra. A água sobe pelo pavio e se espalha pela terra por capilaridade, o mesmo fenômeno que faz um guardanapo puxar o café derramado na mesa. A planta pega a água de que precisa, sem encharcar.

A Unidade de Agricultura Urbana de Curitiba usa a mesma ideia numa versão maior, a horta por capilaridade: uma caixa com um cano furado no fundo, coberto por lascas de madeira e terra, onde a água sobe até as raízes. Segundo a prefeitura, o sistema exige menos regas e desperdiça menos água, e se adapta bem a sacadas e áreas de serviço com quatro a cinco horas de sol. A versão caseira mais conhecida é a de garrafa PET: a parte de cima, de cabeça para baixo, vira o vaso, e a parte de baixo vira o reservatório.
Cuidados com o reservatório
Água parada pede atenção. Mantenha o reservatório fechado e protegido da luz, para não criar limo, e sem frestas onde o mosquito da dengue possa entrar. Use pavio de fibra natural, que puxa bem a água, e confira o nível uma ou duas vezes por semana. Esse sistema funciona melhor para folhas, temperos e chás; as plantas de raiz funda, como a cenoura, preferem vasos comuns e mais fundos.
Você sabia?
A Embrapa Hortaliças conta que, nas hortaliças, a água chega a cerca de 80% do peso da planta. Nas árvores, fica perto de 50%. É por isso que uma alface murcha tão depressa num dia quente sem rega.
Na prática
Teste a rega certa por uma semana:
- Faça o teste do dedo todos os dias, no mesmo horário, e só regue quando a terra estiver seca a dois dedos de fundo.
- Anote quantos dias cada vaso aguenta entre uma rega e outra.
- Monte um vaso autoirrigável com garrafa PET para o vaso que seca mais rápido.
Fontes
- Clemente, F. M. V. T.; Haber, L. L. (ed.). Horta em pequenos espaços. Embrapa Hortaliças, 2012.
- Prefeitura de Curitiba, Unidade de Agricultura Urbana. Horta por capilaridade. Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba, 2018.
Teste rápido
1 de 3Quantas vezes por semana a Embrapa indica regar hortaliças adultas em vaso?
Temperos na janela
Voz gerada por IA.
Se é para começar por uma coisa, comece pelos temperos. Eles ocupam pouco espaço, você usa um pouquinho de cada vez e a diferença de sabor de um tempero colhido na hora é enorme. Neste capítulo você vai ver onde cada erva prefere ficar e como transformar o maço da feira em muda.
Sol para cada erva
A Secretaria de Meio Ambiente do estado de São Paulo lista hortelã, manjericão, alecrim, cebolinha, salsinha, sálvia e coentro entre as ervas fáceis de plantar em casa. Todas precisam de sol em pelo menos um período do dia, mas não na mesma medida. Alecrim, manjericão, tomilho e sálvia gostam de muito sol e ficam na parte mais clara da varanda. A hortelã também precisa de várias horas de sol e pode ter mais sucesso numa janela ou sacada bem ensolarada. Já a salsinha e a cebolinha são as mais fáceis no apartamento, porque aceitam sol só de meio período.

A hortelã tem outra particularidade: suas raízes se espalham depressa e tomam o vaso inteiro. Dê a ela um vaso só seu. E repare que as ervas de folha mais dura, como alecrim, tomilho e orégano, gostam de terra que seca entre uma rega e outra, enquanto a salsinha pede rega quase diária.
Do maço da feira à muda
Muitos temperos podem começar de um maço comprado. A cebolinha é a mais fácil: separe algumas hastes, coloque a base num copo com água e espere as raízes crescerem por cerca de 10 a 15 dias, antes de passar para a terra. O manjericão enraíza a partir de um ramo de 10 a 15 centímetros, com folhas só no topo, num copo de água trocada todo dia. Sálvia, hortelã e tomilho seguem o mesmo método, com a água trocada a cada dois ou três dias, até as raízes chegarem a uns cinco centímetros. Salsinha e coentro começam melhor por sementes; as da salsinha podem ficar de molho por 24 horas antes de semear.

Colher sem acabar com a planta
Na cebolinha, corte as folhas e deixe a base na terra: com a raiz, ela rebrota. No manjericão, colha as pontas dos ramos, logo acima de um par de folhas, e tire os botões de flor quando aparecerem; assim a planta fica cheia e produz folhas por mais tempo. Na salsinha, colha as folhas de fora e deixe o miolo crescer. Nunca tire mais de um terço da planta de uma vez.
Você sabia?
O manjericão gosta tanto de calor que costuma sofrer no inverno do Sul e das serras. Nessas regiões, muita gente faz mudas de estaca no fim do verão e guarda os vasinhos na janela mais quente da casa até a primavera.
Na prática
Comece a sua horta de temperos:
- Compre um maço de cebolinha e coloque a base de algumas hastes num copo com água.
- Escolha mais dois temperos que você usa toda semana e veja se o seu espaço tem o sol que eles pedem.
- Plante a hortelã num vaso separado, se ela estiver na sua lista.
Fontes
- Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. Cultive a sua horta de temperos. semil.sp.gov.br, 2020.
- Clemente, F. M. V. T.; Haber, L. L. (ed.). Horta em pequenos espaços. Embrapa Hortaliças, 2012.
Teste rápido
1 de 3Quais temperos são os mais fáceis no apartamento, segundo a Secretaria de Meio Ambiente de SP?
Frutos na varanda
Voz gerada por IA.
Colher um tomate-cereja da própria varanda é uma das alegrias de quem planta em vaso. Os frutos dão um pouco mais de trabalho que as folhas, mas cabem, sim, num apartamento. O segredo está em três coisas: sol, terra de sobra e um apoio para a planta crescer.
O que os frutos pedem
A Embrapa Hortaliças cita o pimentão, o tomate e as pimentas entre as hortaliças que dá para plantar em pequenos espaços. Elas formam plantas maiores e ficam muitos meses no vaso, por isso precisam do maior recipiente que couber: um balde de tinta bem lavado e furado no fundo, por exemplo. Também pedem um lugar com bastante sol e adubo bem misturado à terra antes do plantio, com um reforço de composto durante a produção.

O tomate-cereja é o mais indicado para começar: produz muito, os frutos pequenos amadurecem rápido e a planta aceita bem o vaso. Ele cresce sem parar, então precisa de um tutor, uma estaca ou um barbante preso no alto, onde você vai amarrando o caule com folga. As pimentas são ainda mais fáceis: ficam compactas, enfeitam a varanda e produzem por bastante tempo. O morango vai bem em jardineiras e vasos pendurados, com os frutos caindo para fora, longe da terra úmida.
A flor do tomate precisa balançar
Muita gente vê o tomateiro da varanda cheio de flores e quase sem frutos. A explicação está na flor. Segundo a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o tomateiro consegue se autopolinizar, mas o pólen fica preso num tubo formado pelos estames, que termina num poro. Para o pólen sair e cair na parte feminina da mesma flor, a flor precisa ser agitada. No campo, quem faz isso é o vento e as abelhas, que se agarram na flor e vibram os músculos das asas.

Em lugares fechados, com pouco vento e sem abelhas, como estufas, varandas envidraçadas e andares altos, a polinização é feita à mão. Nas estufas, os produtores batem com um bastão nos cordões que sustentam os tomateiros, para balançar as flores. Na varanda, basta dar umas batidinhas leves no tutor ou na haste das flores abertas, de preferência no fim da manhã, algumas vezes por semana.
Você sabia?
A Embrapa estudou o uso da mandaçaia, uma abelha nativa sem ferrão, para polinizar tomateiros em estufas no Distrito Federal. As abelhas fazem a vibração que solta o pólen, o mesmo trabalho que o vento faz no campo.
Na prática
Plante o seu primeiro fruto:
- Escolha o lugar mais ensolarado da varanda e um recipiente grande, com furos.
- Plante uma muda de tomate-cereja ou de pimenta, com tutor desde o começo.
- Quando as flores abrirem, dê batidinhas leves no tutor algumas vezes por semana.
Fontes
- Pires, C. S. S.; Ramos, D. L.; Fontes, E. M. G.; Menezes, C.; Campos, L. A. O. Plano de manejo da abelha-nativa-sem-ferrão mandaçaia (Melipona quadrifasciata) para polinização de tomateiros em casas de vegetação. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Circular Técnica 98, 2024.
- Clemente, F. M. V. T.; Haber, L. L. (ed.). Horta em pequenos espaços. Embrapa Hortaliças, 2012.
Teste rápido
1 de 3Por que a flor do tomate precisa ser agitada?
Microverdes e a varanda o ano todo
Voz gerada por IA.
Para fechar o curso, duas ideias: uma horta que fica pronta em poucos dias, os microverdes, e a rotina que mantém a varanda produzindo o ano inteiro. Depois disso, você estará pronto para o próximo passo da trilha: a horta no chão.
Microverdes: a horta mais rápida
Microverdes são hortaliças colhidas bem jovens, quando ainda têm as primeiras folhinhas, chamadas cotilédones. Rabanete, mostarda, rúcula, couve, beterraba e girassol estão entre os mais cultivados. Em pesquisas da Embrapa Hortaliças com a Universidade Federal de Goiás, microverdes de rabanete roxo foram colhidos no quinto dia depois da semeadura e os de beterraba, no nono dia. Em casa, a maioria fica pronta entre uma e duas semanas.

O passo a passo é simples. Use uma bandeja rasa com furos, com uns três centímetros de substrato úmido, e espalhe as sementes por cima, bem juntas mas sem fazer montes. Cubra por alguns dias, para germinarem no escuro, borrifando água. Quando brotarem, leve para uma janela bem clara. Colha com tesoura, rente ao substrato. Cada bandeja dá uma colheita só, então semeie um pouco por semana. Atenção: use sementes próprias para consumo, sem tratamento químico, como as vendidas para brotos e microverdes.
A terra do vaso cansa
No canteiro, as raízes buscam nutrientes longe. No vaso, a planta só tem a terra que você deu. A cada colheita, ela leva um pouco dessa riqueza, e as regas lavam outro tanto. A Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo sugere, para os temperos, adubação orgânica a cada 40 dias, um acréscimo de terra a cada seis meses e a troca da terra uma vez por ano. Para folhas e frutos, misture composto ou húmus antes de cada novo plantio.

Revezar e observar
Assim como no canteiro, vale revezar o que vai em cada vaso. Depois de um tomateiro, que esgota bastante a terra, plante uma folha como a alface; depois, um tempero. Isso também quebra o ciclo de pragas e doenças que ficam na terra. E continue observando: o sol muda ao longo do ano, e o canto que era bom no verão pode ficar na sombra no inverno. Mude os vasos de lugar quando precisar; essa é a vantagem de plantar em vaso.
Se a varanda ficou pequena, é sinal de que está na hora do próximo passo. O curso Sua primeira horta leva você para o chão, com canteiros, consórcios e a horta de verdade.
Você sabia?
Os microverdes não são a mesma coisa que os brotos de feijão. Os brotos são germinados só em água e comidos com semente e raiz. Os microverdes crescem num substrato, com luz, e são colhidos cortando só a parte de cima.
Na prática
Feche o curso com três tarefas:
- Semeie uma bandeja de microverdes de rabanete ou rúcula e marque o dia da colheita.
- Faça um calendário da varanda: quando adubar cada vaso, quando completar a terra e quando trocar.
- Escolha o que vai revezar no primeiro vaso que ficar vazio.
Fontes
- Patrocinio, W. C. T.; Sousa, K. D.; Marques, J. T.; Silva, F. A.; Pilon, L.; Guedes, I. M. R. Tipo de substrato para a produção de microverdes de rabanete roxo. Anais do 57º Congresso Brasileiro de Olericultura (Embrapa Hortaliças / UFG), 2024.
- Patrocinio, W. C. T.; Sousa, K. D.; Paixão, M. R. R.; Silva, F. A.; Pilon, L.; Guedes, I. M. R. Efeito da intensidade luminosa na produção de microverdes de beterraba em cultivo indoor. Anais do 57º Congresso Brasileiro de Olericultura (Embrapa Hortaliças / UFG), 2024.
- Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. Cultive a sua horta de temperos. semil.sp.gov.br, 2020.
- Prefeitura de Curitiba, Unidade de Agricultura Urbana. Hortas em pequenos espaços. Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba, 2018.
Teste rápido
1 de 3Quando os microverdes são colhidos?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
