
Pomar: escolher, plantar, desenhar, cuidar, podar e proteger as frutíferas · 7 capítulos
Um pomar no quintal
Monte um pomar: frutas nativas, muda enxertada, cova e plantio, desenho do quintal, cuidados, poda e moscas-das-frutas
Sobre o guia
Um curso para plantar árvores frutíferas no quintal ou no sítio: como escolher as frutas pelo clima e conhecer as nativas, a diferença entre muda de semente e enxertada, a cova e o plantio segundo a Embrapa, o desenho do pomar pensando na copa adulta e no sol, os cuidados dos primeiros anos, os tipos de poda e a armadilha PET contra as moscas-das-frutas, além de ideias para aproveitar a fartura.
Escolher as frutas
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Plantar uma árvore frutífera é plantar para muitos anos. Um pé de jabuticaba, de manga ou de pitanga pode dar fruta para os netos de quem plantou. Neste curso, você vai montar um pomar no quintal ou no sítio: escolher as frutas, conseguir boas mudas, plantar, desenhar o pomar, cuidar, podar e proteger os frutos. Tudo começa pela escolha.
Fruta que combina com o lugar
Antes de pensar na fruta preferida, pense no clima. Cada frutífera tem um lugar onde vai bem: a manga e o caju gostam de calor; a jabuticaba e a pitanga aguentam um pouco de frio; o pêssego e a ameixa precisam de inverno frio para florescer; o açaí e o cupuaçu pedem calor e umidade da Amazônia. Olhe os quintais e os sítios da vizinhança: o que dá bem ali, provavelmente dará no seu.
A Embrapa Amazônia Oriental lembra que o cultivo de frutíferas em quintais melhora a dieta da família, pode gerar renda e ainda melhora o microclima em volta da casa, com sombra e frescor. Um quintal com árvores é mais fresco no verão.
As frutas da nossa terra
O Brasil tem uma enorme diversidade de frutas nativas, muitas pouco conhecidas fora da sua região. A Embrapa Clima Temperado estuda as fruteiras nativas do Sul, todas da família das mirtáceas, a mesma da goiaba: o araçá, a feijoa, a pitanga, a cereja-do-rio-grande, a uvaia, a jabuticaba, a guabiroba e o guabiju. Segundo a Embrapa, essas frutas têm grande potencial pelo sabor, pelo aroma e pela aparência, e o conhecimento sobre elas pode transformar uma atividade hoje extrativista em fonte de renda.

A jabuticaba, segundo a Embrapa, é uma espécie tipicamente brasileira, com centros de diversidade em várias regiões do país. E cada bioma tem as suas: o caju, o umbu e o cajá no Nordeste; a cagaita, a mangaba e o pequi no Cerrado; o cupuaçu e o açaí na Amazônia. Plantar frutas nativas é também cuidar da biodiversidade, porque elas alimentam aves e outros bichos que vivem com elas há milhares de anos.
Pense na árvore adulta
Uma muda de manga cabe num balde, mas a mangueira adulta faz sombra num quintal inteiro. Antes de escolher, imagine cada árvore grande: a altura, a largura da copa, o lugar onde os frutos vão cair. E pense no tempo: algumas frutíferas dão frutos em um ou dois anos, como o mamão, a banana e a acerola; outras levam vários anos, principalmente quando vêm de semente.
Você sabia?
Segundo a Embrapa Clima Temperado, a pitangueira é autofértil, mas precisa de um agente polinizador, porque as anteras da flor ficam abaixo do estigma. Abelhas no pomar significam mais pitangas.
Na prática
Escolha as frutas do seu pomar:
- Liste as frutíferas que dão bem nos quintais e sítios da sua região.
- Inclua pelo menos duas nativas do seu bioma.
- Anote o tamanho adulto e o tempo até a primeira colheita de cada uma.
Fontes
- Shimizu, M. K.; Gato, R. F.; Vasconcelos, M. A. M.; Matos, L. M. S. Plantio de açaizeiro, cupuaçuzeiro e formação de pomar em quintais. Embrapa Amazônia Oriental, Documentos 286, 2007.
- Raseira, M. C. B.; Antunes, L. E. C.; Trevisan, R.; Gonçalves, E. D. (ed.). Espécies frutíferas nativas do Sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado, Documentos 129, 2004.
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1 de 3Qual o primeiro critério para escolher as frutíferas?
A muda certa
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Um pomar bom começa com uma muda boa. Uma muda fraca, doente ou de origem desconhecida pode custar anos de espera para descobrir que a fruta não é a esperada. Neste capítulo, a diferença entre muda de semente e muda enxertada, e como escolher uma boa muda.
Semente ou enxerto
Plantar o caroço da manga que você comeu funciona: a planta nasce. Mas há dois problemas. O primeiro, segundo a Embrapa Clima Temperado, é o longo período que algumas plantas vindas de semente precisam para atingir a maturidade, chamado de juvenilidade: podem demorar muitos anos para dar o primeiro fruto. O segundo é a segregação genética: o fruto da planta filha pode sair diferente do da mãe, pior ou melhor.
A enxertia, que você viu no curso Fazer mudas, resolve isso. A Embrapa explica que ela consiste em unir duas porções de plantas para formar uma nova. A planta enxertada tem duas partes: o porta-enxerto, que dá as raízes e muitas vezes vem de semente, e o enxerto, um pedaço de ramo ou uma gema tirada de uma planta adulta, da variedade que se quer. Como o enxerto já passou da fase juvenil, a planta produz mais cedo, e o fruto repete o da planta de onde veio o enxerto.

Os dois tipos mais comuns de enxertia são a borbulhia, em que o enxerto é uma gema com um pedacinho de casca, e a garfagem, em que o enxerto é um pedaço de ramo com algumas gemas. Muitas mudas de manga, abacate, laranja e goiaba vendidas nos viveiros são enxertadas. Na muda enxertada, cuide para que os brotos que nascem abaixo do enxerto sejam tirados: eles são do porta-enxerto e roubam a força da copa.
Muda de semente também tem seu lugar: forma raízes fortes e profundas, é ótima para árvores de sombra, para as nativas que ainda não têm variedades selecionadas e para quem quer experimentar e selecionar suas próprias plantas. Muitas jabuticabeiras, pitangueiras e araçazeiros de quintal vêm de semente.
Como escolher a muda
A Embrapa Meio-Norte recomenda escolher mudas com pelo menos seis folhas verdes, maduras e sadias, evitando plantas raquíticas ou deformadas. Compre de viveiros registrados, que conhecem a origem do enxerto, e pergunte qual é a variedade. Olhe as raízes pelo fundo do saquinho: raízes enroladas e saindo pelo fundo indicam muda velha demais no saco. E prefira variedades adaptadas à sua região.
Você sabia?
Segundo a Embrapa Clima Temperado, a enxertia também serve para trocar a variedade da copa de uma planta adulta, para corrigir problemas de polinização e para recuperar partes danificadas da planta.
Na prática
Consiga as suas mudas:
- Descubra um viveiro registrado na sua região e quais variedades ele tem.
- Para as nativas, peça sementes ou mudas a quem tem uma árvore boa.
- Confira cada muda: folhas sadias, sem pragas e sem raízes enroladas.
Fontes
- Raseira, M. C. B.; Antunes, L. E. C.; Trevisan, R.; Gonçalves, E. D. (ed.). Espécies frutíferas nativas do Sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado, Documentos 129, 2004.
- Embrapa Meio-Norte, UEP de Parnaíba. Instruções para o plantio de mudas frutíferas (folder). Embrapa Meio-Norte, 1997.
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1 de 3Por que a muda enxertada produz mais cedo?
Plantar a frutífera
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A árvore vai viver décadas no buraco que você cavar hoje. Por isso o plantio merece capricho: uma cova bem feita, adubada com antecedência, na época certa. Neste capítulo, o passo a passo das instruções de plantio de mudas frutíferas da Embrapa Meio-Norte.
A época
Segundo a Embrapa, o plantio deve coincidir com a estação chuvosa, caso não seja possível irrigar. No começo das chuvas, a terra está úmida e a muda tem meses de água pela frente para firmar as raízes antes da seca. Na maior parte do Brasil, isso significa plantar entre outubro e dezembro; no Nordeste litorâneo e em outras regiões, a época muda com o regime de chuvas.
A cova
A Embrapa Meio-Norte recomenda uma cova de 60 centímetros de largura, 60 de comprimento e 60 de profundidade, preparada uns 20 dias antes do plantio. Ao cavar, separe a terra de cima, mais escura e rica, da terra do fundo. A terra de cima é misturada com o adubo e volta para a cova. Sem análise de solo, a recomendação para cada cova é de 20 litros de esterco de curral curtido, 1 quilo de calcário dolomítico, 630 gramas de superfosfato simples e 100 gramas de cloreto de potássio. Quem prefere um pomar sem adubos químicos pode usar composto, esterco curtido, cinza e pó de rocha, de acordo com a orientação técnica.

O plantio
Encha a cova com metade da terra de cima já adubada. Corte o saco plástico com um canivete, sem quebrar o torrão, e coloque a muda no centro da cova, deixando o torrão 1 a 2 centímetros acima do nível do terreno. Complete com o resto da terra adubada, apertando com cuidado em volta, para a muda ficar em pé. A terra do fundo da cova forma uma bacia em volta da muda, que segura a água da rega e da chuva. Logo depois do plantio, regue com 10 litros de água.
Por fim, cubra o chão em volta da muda com palha de arroz, capim seco ou qualquer material seco, para conservar a umidade. Se a muda for alta ou o lugar ventar, finque um tutor ao lado e amarre o caule com folga, em formato de oito. E retire o saquinho plástico vazio do campo: ele não se decompõe.
Você sabia?
Para o açaí e o cupuaçu, a Embrapa Amazônia Oriental indica covas menores, de 40 por 40 por 40 centímetros, abertas 30 dias antes do plantio. Cada espécie e cada região têm a sua recomendação.
Na prática
Plante a sua primeira frutífera:
- Cave a cova uns 20 dias antes das chuvas, separando a terra de cima da de baixo.
- Misture o adubo à terra de cima e devolva à cova.
- No começo das chuvas, plante com o torrão um pouco acima do chão, faça a bacia, regue e cubra.
Fontes
- Embrapa Meio-Norte, UEP de Parnaíba. Instruções para o plantio de mudas frutíferas (folder). Embrapa Meio-Norte, 1997.
- Shimizu, M. K.; Gato, R. F.; Vasconcelos, M. A. M.; Matos, L. M. S. Plantio de açaizeiro, cupuaçuzeiro e formação de pomar em quintais. Embrapa Amazônia Oriental, Documentos 286, 2007.
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1 de 3Qual o tamanho de cova recomendado pela Embrapa Meio-Norte?
Desenhar o pomar
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Um pomar de quintal não é uma fila de árvores iguais. É uma mistura de frutíferas grandes e pequenas, que entram em produção em tempos diferentes. Para que todas recebam sol, o desenho importa. Neste capítulo, como distribuir as árvores, quem plantar perto de quem e como o pomar se junta ao resto do sítio.
Luz para todas
A Embrapa Amazônia Oriental, na publicação sobre pomares em quintais, resume as regras. Plantar várias espécies juntas envolve conhecer a associação entre as plantas, mas sempre observando os espaçamentos recomendados para cada uma, para que tenham luz, espaço e nutrientes. É fundamental saber o porte de cada espécie, o tamanho da copa adulta, para evitar problemas com o sombreamento. E o ideal é arrumar as plantas de copa parecida no sentido leste-oeste, do nascente para o poente, para que todas recebam sol pelo maior tempo possível.

Longe do telhado
A mesma publicação traz um alerta importante: evite plantar perto da casa espécies de porte muito alto e de frutos grandes, porque elas podem causar acidentes e danificar o telhado. Uma jaca ou uma manga caindo de dez metros é perigosa, e raízes grandes podem atrapalhar fundações e canos. Perto da casa, prefira árvores menores, como acerola, pitanga, limão e jabuticaba.
Pioneiras e definitivas
Enquanto as árvores definitivas crescem, o espaço entre elas pode produzir. Mamão, banana, maracujá, abacaxi e mandioca dão colheitas rápidas, fazem sombra para as mudas novas e protegem o solo. Com os anos, conforme as copas das árvores definitivas se fecham, essas pioneiras vão saindo. É a mesma lógica da sucessão que você vai aprofundar no curso Plantar uma floresta.
O pomar e o resto do sítio
O pomar combina com as galinhas do curso Uma roça diversa: a cartilha de galinhas caipiras da Embrapa sugere que o piquete grande das aves vire um pomar. As galinhas comem os insetos e os frutos caídos, e adubam as árvores. O pomar também pode ficar no caminho entre a casa e a roça, na zona que se visita com frequência, e receber a água do ladrão da cisterna, como você viu no curso A água que passa pela casa.
Você sabia?
Segundo a Embrapa Amazônia Oriental, os clones de cupuaçuzeiro precisam receber pólen de flores de clones diferentes para formar frutos. Por isso, no pomar, eles devem ficar misturados, e não um clone só.
Na prática
Desenhe o seu pomar:
- Faça um mapa do terreno com a casa, o telhado e a direção do nascente e do poente.
- Desenhe cada árvore como um círculo do tamanho da copa adulta.
- Preencha os espaços entre elas com bananeiras, mamoeiros e outras pioneiras.
Fontes
- Shimizu, M. K.; Gato, R. F.; Vasconcelos, M. A. M.; Matos, L. M. S. Plantio de açaizeiro, cupuaçuzeiro e formação de pomar em quintais. Embrapa Amazônia Oriental, Documentos 286, 2007.
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1 de 3Em que sentido arrumar as árvores de copa parecida?
Cuidar do pomar novo
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Os primeiros anos de uma frutífera decidem como ela vai ser adulta. Nessa fase, a muda compete com o mato, sofre com a seca e precisa de alimento para crescer. Neste capítulo, os cuidados com o pomar novo: coroamento, cobertura, água e adubo.
O coroamento
A cartilha Frutas: tratos culturais, do Senar, ensina o coroamento: com a enxada, eliminar as plantas daninhas num raio de 1 metro ao redor das plantas jovens e, nas plantas adultas, na região em volta da projeção da copa, onde é feita a adubação. O capim e o mato competem com a muda por água e nutrientes, principalmente nos primeiros anos. No resto do terreno, o mato pode ser roçado e deixado no chão como cobertura.

Cobertura e água
Depois de capinar, cubra a coroa com palha, capim seco ou folhas, sem encostar no caule. A cobertura segura a umidade, mantém a terra fresca e abafa o mato que voltaria. Para a manutenção das plantas novas durante o verão, a Embrapa Meio-Norte recomenda 20 litros de água por semana para cada planta. Os potes de barro que você conheceu no curso A água que passa pela casa funcionam muito bem nas frutíferas novas.
Adubo de cobertura
A Embrapa Meio-Norte indica uma adubação de cobertura 60 dias depois do plantio, aplicada a uma distância de 20 a 25 centímetros da planta. Num pomar orgânico, o composto, o esterco curtido e o húmus fazem esse papel. Conforme a árvore cresce, o adubo vai sendo colocado cada vez mais longe do tronco, na projeção da copa, que é onde estão as raízes que absorvem os nutrientes.
Formigas e outros perigos
As formigas-cortadeiras podem desfolhar uma muda numa noite. Observe os carreiros, principalmente no começo das chuvas, e proteja o caule das mudas com cones de plástico ou garrafas cortadas. Em áreas com animais soltos, como cabras e bois, as mudas precisam de cerca. E nos lugares de muito vento, um tutor firme evita que a muda tombe ou quebre.
Você sabia?
Segundo a cartilha do Senar, o gotejamento é um sistema de irrigação localizada que tem alto custo de implantação, mas baixo custo de operação, e aproveita a água praticamente sem perdas.
Na prática
Cuide das suas mudas:
- Faça o coroamento de 1 metro em volta de cada muda.
- Cubra a coroa com palha, deixando um palmo livre em volta do caule.
- Combine um dia da semana para regar as mudas no verão e conferir formigas.
Fontes
- Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Frutas: tratos culturais (Coleção Senar 145). Senar / CNA, 2011.
- Embrapa Meio-Norte, UEP de Parnaíba. Instruções para o plantio de mudas frutíferas (folder). Embrapa Meio-Norte, 1997.
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1 de 3Qual o raio do coroamento das plantas jovens, segundo o Senar?
A poda
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Podar dá medo: parece que estamos machucando a árvore. Mas a poda bem feita ajuda a frutífera a crescer forte, produzir mais e ficar com uma altura que dá para colher. Neste capítulo, os tipos de poda e quando cada um é feito.
Para que serve cada poda
A cartilha Frutas: tratos culturais, do Senar, separa cinco podas. A poda de formação melhora a arquitetura da copa, reduz o porte e facilita a colheita, e pode diminuir as pragas e doenças. A poda de frutificação tira os ramos improdutivos, em geral os verticais, e deixa o maior número possível de ramos inclinados, que produzem. A poda de limpeza tira inflorescências secas, ramos secos, ramos ladrões e os atacados por pragas e doenças. A poda de arejamento abre o miolo da copa para a luz e o ar. E a poda de rejuvenescimento renova plantas velhas ou improdutivas, deixando só os ramos principais para brotarem de novo.

A poda de formação
Nas frutíferas tropicais, como abacate, goiaba, graviola e manga, a muda vai para o campo com um caule único. A cartilha do Senar descreve o começo da poda de formação: cortar a ponta do caule em bisel, uns 2 centímetros abaixo do terceiro nó de crescimento, para estimular o surgimento de brotos laterais, as pernadas. Depois se escolhem três ou quatro pernadas bem distribuídas, que vão formar o esqueleto da copa. O Senar alerta que essa poda é específica para cada espécie e deve ser orientada por um técnico.
Uma árvore formada baixa, com a copa aberta, é mais fácil de colher, de cuidar e de proteger. Muitas mangueiras e abacateiros de quintal crescem tanto que a maior parte das frutas cai antes de alguém alcançar.
Ferramentas e cuidados
Use tesoura de poda e serrote bem afiados e limpos, para fazer cortes lisos que cicatrizam rápido. Corte logo acima de uma gema ou rente ao ramo de onde sai o galho, sem deixar tocos. Nos cortes grandes, o Senar indica pincelar uma calda de sulfato de cobre e cal, a calda bordalesa, segundo recomendação técnica. E o material podado volta para o pomar, picado, como cobertura.
Você sabia?
A poda de rejuvenescimento também é usada, segundo o Senar, para trocar a variedade de uma planta adulta: depois da poda forte, os brotos novos recebem um enxerto da variedade desejada.
Na prática
Pratique a poda com cuidado:
- Faça uma poda de limpeza numa frutífera adulta: ramos secos, doentes e ladrões.
- Observe os ramos que produzem: são os inclinados ou os verticais?
- Para a poda de formação, peça orientação à assistência técnica sobre a sua espécie.
Fontes
- Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Frutas: tratos culturais (Coleção Senar 145). Senar / CNA, 2011.
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1 de 3Para que serve a poda de formação?
Moscas-das-frutas e colheita
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Nada desanima mais do que abrir uma goiaba e encontrar bichinhos. São as larvas das moscas-das-frutas, uma das pragas mais comuns dos pomares brasileiros. Neste capítulo final, como acompanhar e reduzir essas moscas sem veneno, e como aproveitar a fartura da colheita.
Como a mosca ataca
A fêmea da mosca-das-frutas fura a casca do fruto e põe ali os seus ovos. As larvas se desenvolvem dentro da polpa, o fruto apodrece e cai, e as larvas entram no solo para virar moscas adultas. Segundo a Embrapa Agrobiologia, as fêmeas precisam de proteína e carboidrato para amadurecer os ovos antes da postura. É isso que permite atraí-las com iscas.
A armadilha PET
A Embrapa Agrobiologia desenvolveu uma armadilha feita com garrafa PET para pomares comerciais e domésticos. A garrafa deve ser transparente, de 2 litros e com tampa: colorida, dependendo da cor, atrai menos. Fazem-se aberturas na lateral para as moscas entrarem, e a isca vai no fundo, com a tampa fechada para não entrar chuva. Ao tentar se alimentar da isca, as moscas caem dentro e se afogam.

Como isca, a Embrapa cita proteína hidrolisada a 5%, melaço de cana a 7% ou suco de fruta, como suco de uva diluído numa parte de suco para quatro de água. As moscas capturadas são descartadas fora do pomar ou enterradas, e a isca é trocada periodicamente. A armadilha serve principalmente para monitorar: contando as moscas, você descobre quando elas aparecem e quando o ataque aumenta.
Outros cuidados
O mais importante é recolher os frutos caídos e os bichados, todos os dias na época de colheita, e enterrá-los fundo ou dar às galinhas: assim as larvas não chegam ao solo para virar moscas. Outra técnica antiga é o ensacamento: envolver os frutos ainda pequenos com saquinhos de papel ou de tecido fino, que impedem a postura. Funciona muito bem em goiaba, manga e carambola de quintal.
A fartura
Um pomar adulto dá mais fruta do que uma família consegue comer na safra. Planeje o que fazer com ela: polpa congelada, doce, geleia, fruta desidratada ao sol, licor, troca com os vizinhos, venda na feira. E deixe uma parte para os bichos: os sabiás, os sanhaços e os morcegos que comem as frutas também espalham as sementes e fazem nascer as árvores do próximo pomar.
Com o pomar, o quintal começa a virar floresta. Na última fase da trilha, no curso Plantar uma floresta, as frutíferas se juntam a árvores de todos os tamanhos num sistema agroflorestal.
Você sabia?
A Embrapa Agrobiologia lembra que o uso de frascos caça-moscas com isca é antigo: o princípio é que as moscas voam e entram no frasco atraídas pelo cheiro do atrativo.
Na prática
Proteja a sua colheita:
- Monte uma armadilha PET com isca de suco de uva diluído e pendure numa frutífera.
- Recolha os frutos caídos todos os dias na época da colheita.
- Ensaque alguns frutos ainda pequenos e compare com os sem saco.
Fontes
- Aguiar-Menezes, E. L.; Souza, J. F.; Souza, S. A. S. et al. Armadilha PET para captura de adultos de moscas-das-frutas em pomares comerciais e domésticos. Embrapa Agrobiologia, Circular Técnica 16, 2006.
Teste rápido
1 de 3Que garrafa usar na armadilha PET da Embrapa?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
