
Polinizadores: abelhas nativas, flores o ano todo, plantas, ninhos, jardim sem veneno e corredores no bairro · 7 capítulos
Um jardim para as abelhas
Alimente e abrigue os polinizadores: quem poliniza, abelhas sem ferrão e solitárias, flores para todas as estações, hotel de abelhas e jardim sem veneno
Sobre o guia
Um curso para transformar quintais, varandas e canteiros em refúgio para os polinizadores: o que é polinização e quanto da nossa comida depende dela, a diversidade das abelhas nativas, o que elas buscam nas flores, plantas que florescem o ano todo, incluindo o mato que alimenta, como oferecer ninhos e montar um hotel de abelhas, por que tirar o veneno do jardim e como levar as flores para a escola, a rua e a praça.
Quem poliniza
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Você já plantou flores para enfeitar. Neste curso, você vai plantar flores para alimentar quem faz a comida acontecer: as abelhas e os outros polinizadores. Começamos entendendo o que eles fazem e por que precisam de ajuda, inclusive nas cidades.
O que é polinização
Para virar fruto e semente, a maioria das flores precisa receber pólen. O relatório brasileiro sobre polinizadores, da BPBES com a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador, define assim: polinização é a transferência de pólen das anteras de uma flor para o estigma de uma flor, da mesma planta ou de outra. Quem leva o pólen pode ser o vento, a água ou um animal. Quando é um animal, ele vai à flor atrás de comida, se suja de pólen e o deixa na flor seguinte.

Quanto da nossa comida depende deles
O mesmo relatório analisou as plantas usadas para produzir alimentos no Brasil. Das que têm informação, em 76% os polinizadores aumentam a quantidade ou a qualidade da colheita. Algumas dependem totalmente deles, como a castanha-do-brasil, o caju, a maçã, o maracujá, o melão, a melancia e a pinha. Sem polinizador, essas plantas florescem e quase não dão fruto.
E não são só as abelhas. A lista inclui besouros, borboletas, mariposas, aves, vespas, moscas e morcegos. Algumas plantas dependem justamente desses outros: as aves polinizam o bacuri, os besouros a pinha e o araticum, as mariposas a mangaba, e pequenas moscas o cacau. Mas as abelhas são, de longe, o grupo com mais espécies.

Por que um jardim faz diferença
O relatório lista as ameaças: perda de habitat, mudanças do clima, poluição, agrotóxicos, espécies invasoras e doenças. Quando o mato vira asfalto ou monocultura, os polinizadores perdem comida e lugar para fazer ninho. Um quintal, uma varanda ou um canteiro na calçada não resolvem tudo, mas devolvem um pouco das duas coisas. Somados, muitos pequenos jardins fazem uma paisagem mais amiga, como você vai ver no último capítulo.
Você sabia?
O guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga lembra que insetos e flores evoluíram juntos: as flores oferecem néctar e pólen, e os insetos, ao buscar esse alimento, fazem a polinização. As abelhas tiram das flores toda a sua comida.
Na prática
Observe os polinizadores perto de você:
- Escolha uma planta florida, no quintal, na rua ou na praça, num dia de sol.
- Fique dez minutos olhando e anote quem visita as flores: abelhas, moscas, borboletas, besouros, beija-flores.
- Repita em outro horário e compare. Esse caderno vai ajudar a escolher as plantas do seu jardim.
Fontes
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
- Maia-Silva, C. et al. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fundação Brasil Cidadão, 2012.
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1 de 3O que é polinização?
Muitas abelhas
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Quando se fala em abelha, quase todo mundo pensa na abelha de mel, listrada e com ferrão. Ela é só uma entre milhares. Neste capítulo, você conhece a diversidade das abelhas e descobre que muitas delas já moram perto de você.
Milhares de espécies
A cartilha da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica conta que existem de 25 a 30 mil espécies de abelhas no mundo. Cerca de 600 são abelhas sem ferrão, das regiões tropicais, e o Brasil registrou cerca de 245 delas, em 29 gêneros. Só na Caatinga, o guia de plantas visitadas por abelhas fala em 187 espécies conhecidas, a maioria rara. Há abelhas maiores que um polegar e abelhas menores que um grão de arroz.

As sem ferrão
As abelhas sem ferrão são nativas e vivem em colônias, com rainha, operárias e zangões. Jataí, mandaçaia, uruçu, jandaíra, mirim, borá: cada região tem as suas. Segundo a cartilha, as do grupo Melipona fazem ninho em cavidades que já existem, como troncos ocos. As outras podem fazer ninho em muitos lugares, até no solo, e constroem entradas com cerume, resina e barro, de formatos variados. No curso Uma roça diversa, você viu que algumas delas são criadas para dar mel.
As solitárias
A maioria das espécies de abelhas não vive em colônia. Nas abelhas solitárias, como as do gênero Centris, estudado pela Embrapa Meio-Norte, cada fêmea passa a vida construindo e abastecendo o próprio ninho, sozinha. Algumas espécies não cavam: usam buracos que já existem no solo, em barrancos, no bambu ou na madeira, como galerias deixadas por besouros. Elas são tranquilas, quase nunca ferroam e são ótimas polinizadoras.
E a abelha-europeia?
A abelha de mel mais comum, a Apis mellifera, veio de fora do Brasil. Ela é importante para o mel e para muitos cultivos. Mas o relatório da BPBES lembra que polinizadores exóticos podem competir com as espécies nativas por flores e por lugares de ninho. Um jardim para as abelhas pensa em todas, e principalmente nas nativas, que não têm quem cuide delas.
Você sabia?
As abelhas sem ferrão não são indefesas. Algumas mordem, outras grudam resina no invasor. A jataí, uma das mais comuns nas cidades, deixa abelhas de guarda na entrada do ninho, em forma de tubinho de cera.
Na prática
Procure abelhas diferentes:
- Olhe flores pequenas, de mato e de hortaliças, além das grandes e vistosas.
- Repare em tamanho e cor: há abelhas pretas, verdes metálicas, amarelas e quase transparentes.
- Procure ninhos em muros, troncos e barrancos, sem mexer: um tubinho de cera na fresta pode ser de jataí.
Fontes
- Melo, D. B. G.; Carvalho, J. S.; Lima, R. Educação ambiental e abelhas nativas da Mata Atlântica. Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), 2026.
- Maia-Silva, C. et al. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fundação Brasil Cidadão, 2012.
- Drumond, P. M.; Morato, E. F.; Azevedo, G. G. Uso de ninhos-armadilhas no manejo e conservação de abelhas Centris. Embrapa Meio-Norte, em Estudos sobre abelhas e vespas brasileiras (UFV), 2023.
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
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1 de 3Quantas espécies de abelhas existem no mundo, segundo a cartilha?
Flores o ano todo
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Um jardim que floresce só na primavera alimenta as abelhas por algumas semanas e as deixa com fome no resto do ano. Neste capítulo, você vê o que as abelhas procuram nas flores e como planejar comida para todas as estações.
O cardápio das abelhas
A cartilha da RBMA explica o básico: o pólen é uma fonte concentrada de proteínas, e o néctar é a fonte de energia. As abelhas precisam dos dois em todas as fases da vida. Mas as flores oferecem mais coisas. Algumas espécies usam resinas e ceras para construir o ninho. Outras usam óleos florais para alimentar as larvas e para forrar as paredes do ninho.

Plantas de óleo
As abelhas solitárias Centris, que você conheceu no capítulo anterior, dependem de plantas que produzem óleo nas flores, da família das malpighiáceas, como a acerola e o murici. O estudo da Embrapa Meio-Norte diz que essas plantas são essenciais perto dos ninhos. O guia da Caatinga vai além: para garantir essas abelhas nos cajueirais, recomenda plantar acerola. Uma aceroleira no quintal dá fruta para você e comida para elas.
O problema dos meses vazios
O relatório da BPBES observa que muitos cultivos florescem por pouco tempo, e que é a vegetação nativa em volta que alimenta os polinizadores nas outras épocas. No jardim vale o mesmo: o segredo é misturar plantas que florescem em meses diferentes, para que sempre haja alguma flor aberta. Anote no caderno quando cada planta do bairro floresce e procure as que cobrem os meses vazios.

Na Caatinga, a época difícil é a seca. O guia conta que árvores como o angico, a aroeira, o cajueiro, o umbuzeiro, a carnaubeira e o juazeiro florescem justamente nesse período, e por isso sustentam as abelhas. A aroeira chega a ficar sem folhas, coberta só de flores. Em outros biomas, o período vazio pode ser o inverno frio ou o fim das chuvas. A lógica é a mesma: descubra quais plantas nativas da sua região florescem quando quase nada floresce.
Você sabia?
O sabor do mel muda conforme as flores. A cartilha da RBMA explica que a variedade de aromas e sabores vem da variedade de flores visitadas, e que cada espécie de abelha sem ferrão ainda dá um toque próprio ao mel.
Na prática
Monte um calendário de flores:
- Faça uma tabela com os doze meses e as plantas floridas do seu quintal e da sua rua.
- Marque os meses vazios, em que quase nada floresce.
- Procure uma planta nativa que floresça nesses meses e coloque na lista para o jardim.
Fontes
- Melo, D. B. G.; Carvalho, J. S.; Lima, R. Educação ambiental e abelhas nativas da Mata Atlântica. Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), 2026.
- Drumond, P. M.; Morato, E. F.; Azevedo, G. G. Uso de ninhos-armadilhas no manejo e conservação de abelhas Centris. Embrapa Meio-Norte, em Estudos sobre abelhas e vespas brasileiras (UFV), 2023.
- Maia-Silva, C. et al. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fundação Brasil Cidadão, 2012.
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
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1 de 3Para que serve o pólen na alimentação das abelhas?
Plantas para o jardim
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Você não precisa de um terreno grande nem de flores caras. Um jardim para abelhas pode caber num vaso, num canto do quintal ou num canteiro de calçada. Neste capítulo, as plantas que alimentam as abelhas, começando por algumas que muita gente arranca.
O mato também é pasto
Os meliponicultores chamam de pastagem melitófila o conjunto de plantas que atraem abelhas atrás de pólen e néctar. Na lista da cartilha da RBMA, observada num fragmento de Mata Atlântica da Bahia, aparecem muitas plantas de beira de caminho: a vassourinha-de-botão, o olho-de-santa-luzia, o mentrasto, a dormideira, a chanana e a canela-de-velho. No guia da Caatinga, a lista inclui malvas, beldroegas, jetiranas, o bamburral e a chanana de novo. Muitas nascem sozinhas. Antes de capinar tudo, olhe quem está visitando as flores.

Flores simples, de muitas formas
Prefira flores simples, em que a abelha alcança o miolo. Flores dobradas, cheias de pétalas, costumam ter pouco pólen e néctar acessível. Varie formas e tamanhos: flores pequenas em cachos servem às abelhas miúdas; flores grandes e abertas servem às mamangavas. Plante cada espécie em grupos, e não uma muda isolada, porque uma mancha de flores é mais fácil de achar e rende mais em cada viagem.
A horta também alimenta
Deixe algumas hortaliças e temperos florirem. Coentro, cenoura, couve e abóbora florescem e recebem muitas visitas. No curso Sementes que passam de mão em mão, você viu que as alógamas, como abóbora, pepino e melancia, precisam de insetos para formar fruto. Manjericão, alecrim e outras aromáticas também florescem bem. E as frutíferas, como acerola, pitanga e goiaba, completam o cardápio.
Nativas primeiro
As abelhas nativas evoluíram com as plantas da sua região. Comece pelas nativas do seu bioma e use as exóticas como complemento, nunca as invasoras. O relatório da BPBES alerta que plantas exóticas às vezes prejudicam os polinizadores e, quando invadem, tiram o lugar de recursos importantes. Viveiros municipais, hortos de universidades e grupos de meliponicultores costumam indicar e trocar mudas.
Você sabia?
O guia da Caatinga foi feito também para estimular jardins para polinizadores, já comuns em outros países. Segundo o guia, esses jardins podem ter qualquer tamanho e caber em casas, escolas, ruas, praças e parques.
Na prática
Comece o seu jardim:
- Escolha três plantas: uma nativa, uma aromática e uma hortaliça que você vai deixar florir.
- Plante em grupo, várias mudas da mesma planta juntas, num lugar de sol.
- Deixe uma faixa sem capinar e anote que plantas espontâneas aparecem e quem as visita.
Fontes
- Melo, D. B. G.; Carvalho, J. S.; Lima, R. Educação ambiental e abelhas nativas da Mata Atlântica. Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), 2026.
- Maia-Silva, C. et al. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fundação Brasil Cidadão, 2012.
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
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1 de 3O que é pastagem melitófila?
Casa para as abelhas
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Comida é metade do jardim. A outra metade é casa. Muitas abelhas somem das cidades não por falta de flor, mas por falta de lugar para fazer ninho. Neste capítulo, você vê onde elas moram e como oferecer abrigo.
Onde as abelhas moram
Cada grupo tem seu jeito. As sem ferrão do grupo Melipona usam troncos ocos. Outras sem ferrão fazem ninho em frestas, muros e até no solo. Entre as solitárias, umas cavam túneis na terra nua ou em barrancos; outras, como algumas Centris, usam buracos prontos em bambu e madeira, como as galerias deixadas por besouros. Por isso, um jardim muito arrumado, com todo o chão coberto e nenhum tronco velho, oferece pouca casa.
O hotel de abelhas
Para as solitárias que usam buracos prontos, dá para fazer cavidades artificiais. Os pesquisadores chamam de ninhos-armadilha, e o povo chama de hotel de abelhas ou condomínio de abelhas. O estudo da Embrapa Meio-Norte sobre as Centris reuniu o que se sabe: os ninhos podem ser feitos de bambu, papel, cartolina ou madeira, e os de madeira parecem os mais procurados. Em lugares muito úmidos, como a Amazônia, a madeira também resiste melhor que papel e bambu.

Medidas que funcionam
Segundo o estudo, as Centris já foram encontradas em furos de 4,7 a 25 milímetros de diâmetro; abelhas maiores tendem a escolher furos maiores. Por isso, faça furos de vários tamanhos no mesmo bloco, fechados no fundo. Na maioria das pesquisas, os ninhos ficaram entre 1 e 2 metros do chão. Lugares sombreados, por volta de 26 a 27 °C, são os melhores para as crias, e temperaturas acima de 38 °C podem matá-las. Então nada de pendurar o hotel no sol da tarde: abrigue-o sob um beiral ou uma árvore, protegido da chuva.
Casa perto da comida
O mesmo estudo lembra que poucas abelhas solitárias conseguem buscar comida a mais de 300 metros. Um hotel sem flores por perto fica vazio. Combine o abrigo com as plantas do capítulo anterior, incluindo alguma planta de óleo, como a acerola. E olhe o hotel de vez em quando: aranhas, formigas, cupins e até pererecas também ocupam os furos.
Você sabia?
Quando uma abelha solitária fecha o ninho, ela tampa a entrada com terra, areia ou pedacinhos de madeira, conforme a espécie. Um furo tampado no seu hotel é sinal de que há crias lá dentro, que vão sair semanas ou meses depois.
Na prática
Ofereça casa no seu jardim:
- Deixe um canto de terra nua, sem cobertura, num lugar ensolarado e que não encharque.
- Guarde um tronco velho ou galhos grossos num canto sossegado.
- Faça um hotel com um bloco de madeira sem tratamento ou um feixe de bambus cortados nos nós, com furos de tamanhos variados, a um metro e meio do chão, na sombra.
Fontes
- Drumond, P. M.; Morato, E. F.; Azevedo, G. G. Uso de ninhos-armadilhas no manejo e conservação de abelhas Centris. Embrapa Meio-Norte, em Estudos sobre abelhas e vespas brasileiras (UFV), 2023.
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1 de 3Qual material de ninho-armadilha parece mais procurado pelas abelhas?
Sem veneno
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Um jardim cheio de flores pode virar uma armadilha se tiver veneno. Neste capítulo, o que prejudica as abelhas e como cuidar do jardim sem prejudicá-las.
O que o veneno faz
O relatório da BPBES descreve os efeitos dos agrotóxicos sobre os polinizadores. Eles podem matar na hora ou espantar as abelhas. Mesmo quando não matam, causam efeitos que não se veem: desorientam o voo, atrapalham a abelha a encontrar as flores e reduzem as crias. Uma abelha que não acha o caminho de volta para o ninho está perdida, e a colônia enfraquece.
A cartilha da RBMA cita o uso intensivo de herbicidas e pesticidas entre as causas do forte declínio das abelhas sem ferrão, junto com o desmatamento, a coleta predatória de mel e as espécies exóticas. E o veneno não fica no lugar onde foi jogado: o vento e a água levam para longe.

No jardim de casa
Inseticida de spray, aquele de matar mosquito e barata, também mata abelhas. Herbicida, o mata-mato, tira de uma vez a comida e os lugares de ninho. Os dois não combinam com um jardim para abelhas. No curso Horta sem veneno, você viu como cuidar da horta com caldas caseiras, plantas companheiras e inimigos naturais. Mesmo as caldas caseiras, se forem fortes, podem atingir insetos úteis: aplique só onde há problema, no fim da tarde, quando as abelhas já recolheram, e nunca sobre flores abertas.
Pense no vizinho
Converse com quem cuida do terreno ao lado, do condomínio ou da praça. Muitas vezes a capina química e a pulverização são feitas por costume. Mostrar as abelhas visitando o mato florido costuma convencer mais que qualquer discurso.
Água limpa
As abelhas também precisam de água, principalmente nos dias quentes. Um pratinho raso com pedrinhas ou cascalho, para elas pousarem sem se afogar, ajuda muito. Use água limpa e troque sempre, para não criar larvas de mosquito.
Você sabia?
O relatório da BPBES lembra que, além do veneno, as abelhas sofrem com doenças e parasitas, e que abelhas exóticas podem levar pragas e patógenos para as populações nativas.
Na prática
Faça uma faxina de venenos:
- Separe os produtos de casa e do jardim que matam insetos ou mato, e pare de usá-los ao ar livre.
- Leve as embalagens a um ponto de coleta, sem jogar o resto na pia ou na terra.
- Coloque um bebedouro: um prato raso com pedrinhas e água limpa, trocada a cada dois dias.
Fontes
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
- Melo, D. B. G.; Carvalho, J. S.; Lima, R. Educação ambiental e abelhas nativas da Mata Atlântica. Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), 2026.
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1 de 3Além de matar, o que o agrotóxico pode fazer com as abelhas?
Do quintal ao bairro
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Um jardim sozinho ajuda. Muitos jardins perto uns dos outros mudam um bairro inteiro. Neste último capítulo, você leva as abelhas do quintal para a rua, a escola e a praça.
Paisagens com mais vida
O relatório da BPBES diz que os polinizadores precisam de paisagens heterogêneas, com várias fontes de comida e lugares para ninho. No campo, a recomendação é conservar mata, plantar cercas vivas e criar corredores ecológicos entre os fragmentos. Na cidade, a ideia é a mesma, em escala menor: quintais, canteiros de calçada, escolas, praças e parques floridos, perto o bastante para as abelhas irem de um a outro. Lembre que muitas solitárias não voam mais que algumas centenas de metros.

Jardins em lugares comuns
O guia da Caatinga lembra que jardins para polinizadores podem ter qualquer tamanho e ficar em casas, escolas, ruas, praças e parques. Uma escola pode ter um canteiro de plantas nativas e um hotel de abelhas, e os alunos podem anotar as visitas. Uma praça pode deixar uma faixa sem roçar. Um grupo de vizinhos pode plantar flores nos canteiros das árvores da rua, como você vai ver no próximo curso, Árvores na cidade.
Criar abelhas sem ferrão
Muita gente começa no jardim e termina criando abelhas sem ferrão, a meliponicultura. A jataí, por exemplo, vive bem em muitas cidades. O relatório da BPBES cita gêneros nativos que podem ser manejados, como Melipona, Nannotrigona, Plebeia, Scaptotrigona e Tetragonisca. Mas atenção: a cartilha da RBMA lembra que a aquisição de colônias depende de meliponários autorizados a vendê-las. Nunca tire ninhos da natureza, crie espécies da sua região e informe-se sobre as regras do seu estado.
Ciência cidadã
O relatório inclui a educação ambiental e a ciência cidadã entre as ações para proteger os polinizadores. Suas anotações valem: fotografe as abelhas e as plantas que elas visitam e compartilhe em plataformas de observação da natureza. Cada registro ajuda a saber quais abelhas vivem em cada lugar e o que elas comem.
Você sabia?
O relatório da BPBES estimou que, em 2018, o serviço de polinização valia R$ 43 bilhões para a produção de alimentos no Brasil. Cerca de 80% desse valor estava em quatro cultivos: soja, café, laranja e maçã.
Na prática
Leve o jardim para fora de casa:
- Ofereça mudas e sementes das plantas que deram certo no seu jardim a vizinhos, à escola ou à associação do bairro.
- Proponha uma faixa florida na praça ou no canteiro da rua, sem veneno.
- Registre as abelhas que aparecem e compartilhe as fotos, para que outros também aprendam a reconhecê-las.
Fontes
- Wolowski, M. et al. Sumário para tomadores de decisão: relatório temático sobre polinização, polinizadores e produção de alimentos no Brasil. BPBES e Rebipp (disponível no repositório da Embrapa), 2018.
- Maia-Silva, C. et al. Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Fundação Brasil Cidadão, 2012.
- Melo, D. B. G.; Carvalho, J. S.; Lima, R. Educação ambiental e abelhas nativas da Mata Atlântica. Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), 2026.
Teste rápido
1 de 3De que tipo de paisagem os polinizadores precisam?
Leia no app e ganhe folhas
No app, cada capítulo concluído vira folhas no seu jardim, e você pode ouvir tudo em áudio.
