Capa do Árvores na cidade

Arborização urbana: benefícios, escolha da espécie, calçada, plantio, cuidados, poda e plantio comunitário · 7 capítulos

Árvores na cidade

Plante e cuide de árvores na rua: ilhas de calor, a espécie certa, medidas da calçada, cova e tutor, rega nos primeiros anos, poda e mutirões

Sobre o guia

Um curso para trazer mais sombra para a sua rua: o que as árvores fazem pela cidade, como escolher a espécie certa para cada lugar, as medidas da calçada e do canteiro, a muda e o plantio com tutor e amarração em oito, os cuidados dos primeiros anos, a poda certa e as leis que protegem as árvores, e como organizar o plantio com os vizinhos e a prefeitura.

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O que as árvores fazem pela cidade

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Uma rua com árvores e uma rua sem árvores parecem lugares diferentes, mesmo estando a poucos quarteirões de distância. Neste curso, você aprende a plantar e a cuidar de árvores na cidade: na calçada, na praça, junto com os vizinhos. Começamos pelo que elas fazem por nós.

Ilhas de calor

O Manual Técnico de Arborização Urbana de São Paulo explica que a falta de árvores, somada à poluição e ao excesso de asfalto e concreto, cria as ilhas de calor: áreas de ar seco e temperatura alta. As árvores ajudam a moderar esses extremos. A sombra impede que o sol aqueça o chão e as paredes, e as folhas soltam água, que refresca o ar em volta.

Em Belém, pesquisadores da Universidade Federal do Pará e da Embrapa Amazônia Oriental fotografaram duas avenidas do alto com uma câmera térmica. A temperatura média da superfície foi de 31,1 °C na avenida bem arborizada e de 34 °C na avenida com menos árvores. A diferença média foi de 2,9 °C e, em alguns pontos, chegou a 7,4 °C.

Gráfico de barras com a temperatura média da superfície de duas avenidas de Belém, medida com câmera térmica em sobrevoo: avenida com menos árvores, 34 graus; avenida bem arborizada, 31,1 graus. A diferença média foi de 2,9 graus e chegou a 7,4 graus em alguns pontos.
Fonte: Costa e colegas, Caderno de Geografia, 2022.

Chuva e solo

O manual de São Paulo lembra que as copas das árvores fracionam a água da chuva. A gota que cai da folha bate no chão com menos força, o que diminui a erosão, e parte da água fica retida nas folhas e galhos. Em volta do tronco, o canteiro de terra deixa a água entrar no solo, em vez de correr para o bueiro. Com muitas árvores e canteiros, a enxurrada diminui.

Quatro cartões de benefícios das árvores. Sombra: refrescam as ruas e diminuem as ilhas de calor. Chuva: a copa segura a água e o solo a deixa entrar. Ar e barulho: retêm poeira e diminuem o ruído da rua. Bichos: abrigo e comida para aves, abelhas e outros animais.
Alguns dos benefícios listados pelas prefeituras.

Ar, barulho e bichos

As cartilhas das prefeituras de Londrina e Piracicaba completam a lista: as árvores retêm poeira, diminuem o barulho, embelezam a rua e oferecem abrigo e alimento a muitos animais. No curso Um jardim para as abelhas, você viu como os pedaços floridos da cidade formam caminhos para os polinizadores; as árvores da rua fazem parte desse caminho. E há o bem-estar: uma rua sombreada convida a caminhar e a conversar.

Vídeo: Por que uma cidade precisa de árvores? · Drauzio Varella · 4 min

Você sabia?

Em São Paulo, uma lei de 1987 considera a vegetação de porte arbóreo um bem de interesse comum a todos os moradores, esteja ela em área pública ou particular. Por isso, a poda e a remoção dependem de autorização da prefeitura, como você vai ver no capítulo seis.

Na prática

Sinta a diferença:

  1. Num dia de sol, caminhe por uma rua arborizada e por outra sem árvores, perto da sua casa.
  2. Encoste a mão no chão e numa parede ao sol e à sombra, e compare.
  3. Anote as ruas do bairro com e sem árvores. Esse mapa vai servir no último capítulo.

Fontes

  1. Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Manual técnico de arborização urbana (3ª edição). Prefeitura de São Paulo, s.d..
  2. Costa, A. S.; Franco, I. M.; Martorano, L. G.; Moraes, J. R. S. C. Termografia infravermelha em sobrevoo: efeitos da vegetação urbana na regulação térmica em Belém. Caderno de Geografia (com a Embrapa Amazônia Oriental), 2022.
  3. Prefeitura de Londrina, Secretaria Municipal do Ambiente. Arborização urbana: plantei, e agora? (folheto). Prefeitura de Londrina (PR), s.d..
  4. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.

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O que forma as ilhas de calor?

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A árvore certa no lugar certo

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Muitas brigas entre árvores e moradores começam no dia do plantio: uma árvore grande demais debaixo dos fios, uma raiz que levanta a calçada, um fruto pesado que cai em cima dos carros. Escolher bem evita podas pesadas e cortes depois. Neste capítulo, como escolher a espécie.

Porte e fiação

Antes de escolher, olhe para cima. Se há fios na calçada, a árvore precisa ser de pequeno porte, ou a copa vai crescer dentro da rede e ser cortada a vida inteira. O guia de Jacareí pede uma distância mínima entre os galhos e os fios: 1 metro na baixa tensão e 2 metros na média tensão. As palmeiras, que não aceitam poda, não devem ser plantadas sob a fiação. Árvores grandes ficam para calçadas largas sem fios, praças e parques.

Uma calçada com poste e fios. Debaixo dos fios, uma árvore de pequeno porte com a copa abaixo de uma linha tracejada; longe dos fios, uma árvore de grande porte. Notas: copa longe dos fios, 1 metro na baixa tensão e 2 metros na média tensão; palmeiras nunca embaixo dos fios.
Cada porte no seu lugar.

Raízes, crescimento e copa

O Plano de Arborização de Jacareí traz uma lista de critérios. Nas calçadas, prefira espécies de raízes profundas, as pivotantes, que crescem para baixo e não levantam o piso. Prefira crescimento moderado: as árvores de crescimento rápido dão sombra cedo, mas têm madeira mais frágil e pedem mais poda; as muito lentas ficam anos expostas a esbarrões. A copa deve ter formato e tamanho que caibam no lugar, sem invadir a fachada nem a rua.

Tabela de critérios para escolher a espécie da calçada. Raízes: profundas, pivotantes, que não quebram a calçada. Crescimento: moderado, nem frágil demais, nem lento demais. Copa: formato e tamanho que cabem no lugar. Flores e frutos: pequenos e leves, sem espinhos nem partes tóxicas. Origem: nativas sempre que possível, nunca invasoras. Nota: variar as espécies, até 10% de uma espécie, 20% de um gênero e 30% de uma família.
Fonte: Plano de Arborização de Jacareí.

Flores, frutos e espinhos

Flores grandes demais podem deixar a calçada escorregadia, e frutos grandes e pesados sujam e machucam. Por isso, o guia recomenda frutos pequenos e leves na calçada e deixa as frutíferas grandes, como a mangueira, para áreas verdes maiores, combinadas com a população. Espécies com partes tóxicas, na casca, no látex, nas flores ou nas folhas, não devem ir para lugares públicos.

Vídeo: 10 árvores ideais para calçada · Vila Nina TV · 10 min

Nativas e variedade

Sempre que possível, escolha espécies nativas da região, que oferecem mais benefícios para os bichos. E varie: uma cidade com uma espécie só pode perder muitas árvores de uma vez para a mesma praga. O guia cita uma regra usada no mundo todo: no máximo 10% de uma espécie, 20% de um gênero e 30% de uma família. Nunca escolha uma espécie invasora, que escapa para as matas.

Você sabia?

Em Jacareí, o morador pode indicar a árvore que quer na frente de casa, mas quem decide a espécie é a equipe técnica da prefeitura. Em muitas cidades é assim: vale perguntar antes de comprar a muda.

Na prática

Escolha a árvore da sua calçada:

  1. Olhe para cima e anote se há fios e de que tipo, e a que distância está o poste.
  2. Liste três espécies nativas de pequeno ou médio porte usadas na sua cidade.
  3. Pergunte à prefeitura ou ao viveiro municipal quais delas são indicadas para a sua rua.

Fontes

  1. Prefeitura de Jacareí, Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. Guia de plantio de árvores em calçadas. Prefeitura de Jacareí (SP), 2026.

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Que árvore plantar debaixo dos fios?

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A calçada

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A calçada é de todo mundo: de quem anda a pé, de quem usa cadeira de rodas, de quem empurra um carrinho de bebê. A árvore tem que caber nela sem fechar o caminho. Neste capítulo, as medidas que permitem plantar na calçada.

A faixa livre

Os guias de São Paulo, Jacareí e Piracicaba, seguindo as regras de acessibilidade, exigem uma faixa livre de pelo menos 1,20 metro para as pessoas passarem, sem degraus, postes nem árvores. A árvore vai na faixa de serviço, a parte da calçada junto ao meio-fio, onde também ficam postes, placas e lixeiras. Nunca plante encostado no muro, no meio do caminho.

Vista de cima de uma calçada: junto à casa ou muro, a faixa livre de no mínimo 1,20 metro para as pessoas passarem; junto ao meio-fio, a faixa de serviço com dois canteiros de terra e árvores; depois, a rua.
A árvore fica junto à rua; a passagem fica livre.

Calçada estreita

Por isso, há uma largura mínima. O manual de São Paulo e a cartilha de Piracicaba dizem que, em calçadas com menos de 1,90 metro, não se deve plantar árvore. Nessas ruas estreitas, algumas cidades usam o chamado espaço árvore: um canteiro avançando sobre a faixa de estacionamento, sempre com autorização da prefeitura. Se a sua calçada é estreita, plante dentro do terreno, no jardim da frente, ou proponha o plantio numa praça próxima.

O tamanho do canteiro

A árvore precisa de terra descoberta em volta do tronco, para a água e o ar chegarem às raízes. O manual de São Paulo relaciona a largura da calçada com o tamanho do canteiro. No plantio, o canteiro nunca deve ser menor que 60 por 60 centímetros, e deve crescer junto com a árvore. O guia de Jacareí pede pelo menos 1 metro quadrado de canteiro permeável. Quanto maior, melhor: alguns lugares fazem uma faixa de grama ou plantas rasteiras ligando os canteiros, a calçada verde, que ajuda a chuva a se infiltrar.

Tabela de largura da calçada e tamanho do canteiro, segundo o manual de São Paulo. Menos de 1,90 metro: não plante na calçada. De 1,90 a 2,09 metros: canteiro de 0,60 metro de largura e área mínima de 0,60 metro quadrado. De 2,10 a 2,39: 0,80 metro e 0,80 metro quadrado. De 2,40 a 2,79: 1 metro e 1,20 metro quadrado. Mais de 2,80: 1,40 metro e 2 metros quadrados. Nota: o canteiro deve crescer junto com a árvore; longe da esquina, 5 metros, e dos postes, 2 a 3 metros.
Fonte: Manual Técnico de Arborização Urbana de São Paulo.

Longe da esquina e do poste

O manual de São Paulo traz também distâncias mínimas: 5 metros da esquina, para não atrapalhar a visão de quem dirige e atravessa, e de 2 a 3 metros dos postes, conforme o porte da árvore. Também é preciso respeitar a distância de hidrantes, entradas de garagem, bocas de lobo e canos enterrados. Antes de cavar, pergunte à prefeitura onde passam as redes de água, esgoto e gás.

Vídeo: Como plantar uma árvore na calçada e não danificar a calçada · Goiabinha de Capela do Alto · 2 min

Você sabia?

A cartilha de Piracicaba conta que a calçada verde, com faixas permeáveis, diminui o risco de alagamentos, ajuda a manter a temperatura mais estável e dá mais espaço para as raízes crescerem.

Na prática

Meça a sua calçada:

  1. Meça a largura, do muro ao meio-fio, sem contar a guia.
  2. Confira se sobram 1,20 metro de passagem livre depois do canteiro.
  3. Marque o lugar do canteiro, longe da esquina, do poste e da entrada da garagem, e consulte a tabela para saber o tamanho.

Fontes

  1. Prefeitura de Jacareí, Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. Guia de plantio de árvores em calçadas. Prefeitura de Jacareí (SP), 2026.
  2. Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Manual técnico de arborização urbana (3ª edição). Prefeitura de São Paulo, s.d..
  3. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.

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Qual é a passagem livre mínima na calçada?

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A muda e o plantio

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Plantar uma árvore na rua é parecido com plantar uma frutífera no quintal, como você viu no curso Um pomar no quintal, mas a calçada é um lugar mais duro: chão compactado, entulho, esbarrões. Neste capítulo, a muda certa e o passo a passo do plantio.

Uma muda grande

Na rua, uma muda pequena some no meio das pessoas e quebra fácil. O guia de Jacareí pede mudas com pelo menos 2,20 metros de altura, tronco único e reto, primeira bifurcação acima de 1,80 metro e tronco com pelo menos 3 centímetros de diâmetro. Assim, a copa já começa acima da cabeça de quem passa. No curso Fazer mudas, você viu como funciona um viveiro; os viveiros municipais conduzem essas mudas por anos até chegarem a esse tamanho.

A cova e a terra

O manual de São Paulo pede cova de pelo menos 60 por 60 centímetros de boca e 50 de profundidade, maior em solo ruim. A terra debaixo da calçada costuma ter entulho, e por isso é comum trocar. A cartilha de Piracicaba sugere uma mistura de uma parte de terra argilosa, uma de terra arenosa e uma de composto, com calcário bem misturado. O manual de São Paulo indica cerca de 200 gramas de calcário por cova. Espalhe bem o adubo e nunca o concentre junto ao torrão, que pode queimar as raízes.

Corte de uma cova na calçada, de 60 centímetros, com a muda e o torrão no centro e um tutor de madeira ao lado, ligado ao tronco por duas fitas em oito deitado. Notas: tutor antes da muda, enterrado uns 50 centímetros, sem ferir o torrão; terra boa no lugar do entulho, com argila, areia, composto e calcário; colo no nível do solo, nem enterrado nem descoberto; fita de borracha em 8 deitado, de câmara de pneu velha, nunca arame; rega farta e cobertura de folhas ou cascas, até 10 centímetros.
O plantio na calçada.

O passo a passo

Primeiro, crave o tutor: o manual de São Paulo pede que ele entre na cova logo depois de aberta e antes da muda, para não ferir o torrão. A cartilha de Piracicaba indica enterrá-lo uns 50 centímetros. Tire a embalagem com cuidado e, se houver raízes enroladas no fundo, corte-as com tesoura de poda. Coloque a muda no centro, com o colo, a base do tronco, no mesmo nível do solo. Encha com a terra preparada e firme com os pés, sem socar demais: solo compactado não deixa a água entrar.

Amarre a muda ao tutor com uma fita de borracha em forma de oito deitado, que segura sem estrangular o tronco. A cartilha sugere tirar a borracha de uma câmara de pneu usada, e nunca usar arame ou náilon. Por fim, regue bem, com água limpa, e cubra o canteiro com uma camada de até 10 centímetros de folhas, galhos finos ou cascas.

Vídeo: Como plantar árvores do jeito certo · Vila Nina TV · 9 min

Você sabia?

A cartilha de Piracicaba avisa que a água da rega deve ser limpa, sem sabão, detergente ou óleo. A água de lavar a calçada, por exemplo, não serve para regar a árvore.

Na prática

Prepare o plantio:

  1. Junte o material: tutor de madeira ou bambu com ponta, fita de borracha de câmara de pneu, composto, calcário e cobertura.
  2. Marque a cova de 60 por 60 centímetros no lugar escolhido no capítulo anterior.
  3. Combine com a prefeitura se é preciso autorização para quebrar a calçada e se ela fornece a muda.

Fontes

  1. Prefeitura de Jacareí, Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. Guia de plantio de árvores em calçadas. Prefeitura de Jacareí (SP), 2026.
  2. Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Manual técnico de arborização urbana (3ª edição). Prefeitura de São Paulo, s.d..
  3. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.

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Qual a altura mínima da muda de rua, segundo Jacareí?

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Os primeiros anos

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Plantar é um dia; cuidar são anos. A maioria das mudas de rua que morrem não morre no plantio, mas nos primeiros meses, por falta de água, esbarrões e chão cimentado. Neste capítulo, o cuidado que transforma a muda em árvore.

Água no começo

Logo depois de plantada, a muda precisa de uma boa rega, que o manual de São Paulo lembra também ajudar a terra a encostar nas raízes. Depois, a frequência depende do clima. O folheto de Londrina recomenda regar a cada dois dias nos dois primeiros meses. A cartilha de Piracicaba orienta regar a cada dois dias no verão, se não estiver chovendo, e todos os dias na estação seca, de preferência de manhã cedo ou no fim da tarde. E avisa: excesso de água também faz mal.

Linha do tempo dos primeiros anos da árvore. No plantio: rega farta, logo depois de plantar, com água limpa. Até dois meses: regas frequentes, a cada dois dias, e todo dia na seca. Até dois anos: tutor e grade, para crescer reto e protegida dos esbarrões. Sempre: chão livre, canteiro sem cimento nem mureta. Nota: regue de manhã ou no fim da tarde, e sem exagero, porque encharcar também faz mal.
Os cuidados que decidem se a muda vira árvore.

Tutor e protetor

Londrina recomenda manter o tutor e uma grade de proteção nos dois primeiros anos. O tutor direciona o crescimento e segura a muda no vento; a grade protege dos esbarrões de bicicletas, carros e pessoas. Confira de tempos em tempos a fita de borracha: se estiver apertando o tronco, afrouxe. Quando a árvore estiver firme, retire o tutor.

O canteiro é da árvore

O manual de São Paulo diz que é imprescindível manter uma área permeável em volta da árvore, e ampliá-la conforme ela cresce. O folheto de Londrina pede cerca de 1 por 1 metro livre durante toda a vida da árvore e proíbe muretas e cimento junto ao tronco: eles abafam as raízes, impedem a água de entrar, deformam o tronco e aumentam o risco de queda. Se a calçada foi cimentada até o tronco, o certo é abrir o canteiro de novo.

Vídeo: Como plantar uma árvore e ter sucesso para a muda não morrer · Jardel Oficial · 6 min

Brotos ladrões

Nos primeiros anos, aparecem brotos no tronco, abaixo da copa. A cartilha de Piracicaba orienta tirar ainda pequenos os ramos que surgem abaixo de 1,70 metro, porque, quando crescem, atrapalham pedestres e veículos e acabam exigindo uma poda pesada. Tire-os com a mão ou com uma tesoura de poda limpa, rente ao tronco, sem arrancar casca.

Mantenha a cobertura de folhas no canteiro, que guarda a umidade e evita a compactação. Plantas rasteiras e flores no canteiro também ajudam, desde que não sufoquem a muda: elas protegem a terra e alimentam as abelhas.

Você sabia?

O manual de São Paulo cita, entre os problemas que as árvores enfrentam nas cidades, solo compactado, covas pequenas, fiação, danos de veículos, falta de tutores e protetores e vandalismo. Uma muda bem acompanhada nos primeiros anos escapa da maior parte deles.

Na prática

Adote uma muda:

  1. Escolha uma árvore jovem da sua rua, plantada por você ou pela prefeitura.
  2. Combine uma rotina de rega, a cada dois dias nos primeiros meses e todo dia na seca, com um balde de água limpa.
  3. Uma vez por mês, confira o tutor, a fita, a grade e os brotos no tronco.

Fontes

  1. Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Manual técnico de arborização urbana (3ª edição). Prefeitura de São Paulo, s.d..
  2. Prefeitura de Londrina, Secretaria Municipal do Ambiente. Arborização urbana: plantei, e agora? (folheto). Prefeitura de Londrina (PR), s.d..
  3. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.

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Com que frequência regar nos dois primeiros meses, segundo Londrina?

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Poda e leis

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Uma árvore bem escolhida e bem plantada quase não precisa de poda. Mas, quando precisa, a poda errada pode estragá-la para sempre. Neste capítulo, o que pode e o que não pode, e por que árvore de rua não se corta sem autorização.

Para que serve a poda

O manual de São Paulo descreve vários tipos de poda. A de formação é feita ainda no viveiro, para a muda ter um tronco único e reto. A de limpeza tira galhos secos, doentes e mortos, que podem cair, além de ramos ladrões. Há ainda podas de correção, para equilibrar a copa, e de adequação, para resolver conflitos com fios, placas e iluminação. Em todas, o objetivo é cuidar da árvore, não diminuí-la.

Poda drástica é crime

O folheto de Londrina é direto: poda drástica é crime, independente de como a árvore reage depois. E explica o que não fazer: não cortar mais de 50% da copa; não cortar o topo para baixar a altura, eliminando a ponta; não podar um lado só, o que desequilibra a árvore; não fazer cortes em U ou em V; e não fazer topiaria, aquelas copas em forma de bola ou cone. Uma poda drástica faz a árvore perder reservas, apodrecer por dentro e, muitas vezes, morrer.

Cinco regras do que não fazer na poda, do folheto de Londrina: não tire mais da metade da copa, porque cortar mais de 50% é poda drástica e é crime; não corte o topo da árvore para baixar a altura, eliminando a ponta; não pode um lado só, porque a árvore fica desequilibrada e pode cair; não faça cortes em U ou em V, nem moldes de topiaria na rua; não corte raízes nem cimente o chão, porque a árvore apodrece e tomba.
Regras do folheto de arborização de Londrina.

Raízes e chão

Em Londrina, o Plano Diretor de Arborização proíbe cortar raízes de árvores, e também cimentá-las. Raiz cortada para consertar a calçada enfraquece a base e pode derrubar a árvore no próximo temporal. Se a raiz está levantando o piso, o caminho é ampliar o canteiro e refazer a calçada em volta, com orientação técnica.

Vídeo: Dicas para poda em árvores urbanas · Portal de Educação Ambiental · 7 min

Quem pode podar e remover

Em muitas cidades, podar, transplantar ou remover uma árvore depende de autorização da prefeitura, mesmo quando ela está dentro do seu terreno. Em São Paulo é assim por lei, e em Londrina a árvore da calçada ou do quintal só pode ser removida com autorização escrita da secretaria de meio ambiente. Em Piracicaba, a poda em área pública é feita pela prefeitura, pelas empresas de energia treinadas, pelos bombeiros ou por pessoas credenciadas. Na dúvida, peça uma vistoria. E se vir uma poda drástica ou um corte sem autorização, denuncie ao órgão ambiental da sua cidade.

Você sabia?

O manual de São Paulo lembra que, quando bem cuidadas desde cedo, as árvores evitam futuras podas drásticas, transplantes e remoções. A melhor poda é a que se faz pequena, no começo, como tirar um broto ladrão.

Na prática

Conheça as regras da sua cidade:

  1. Procure no site da prefeitura o plano de arborização ou a lei sobre poda e remoção de árvores.
  2. Anote o telefone para pedir poda, vistoria ou muda, e o canal de denúncia.
  3. Observe as árvores da rua e anote se alguma tem galho seco, mureta ou cimento no tronco, para pedir uma vistoria.

Fontes

  1. Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Manual técnico de arborização urbana (3ª edição). Prefeitura de São Paulo, s.d..
  2. Prefeitura de Londrina, Secretaria Municipal do Ambiente. Arborização urbana: plantei, e agora? (folheto). Prefeitura de Londrina (PR), s.d..
  3. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.

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Quanto da copa se pode tirar, no máximo, segundo Londrina?

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Plantar com os vizinhos

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Uma árvore na frente de casa já muda a calçada. Uma rua inteira arborizada muda o bairro. Neste último capítulo, como juntar os vizinhos, a prefeitura e o viveiro para plantar mais e cuidar melhor.

Peça árvores

Muitas prefeituras doam ou plantam mudas a pedido do morador. Em Piracicaba, a secretaria de meio ambiente fornece ou planta a muda; basta ligar para o serviço de atendimento. Em Londrina, o folheto lembra que ter uma árvore em frente de casa é obrigatório, e convida o morador a buscar a muda no viveiro municipal ou pedir o plantio. Procure o viveiro e o setor de arborização da sua cidade: eles indicam a espécie certa para cada calçada.

Cinco passos para plantar árvores com os vizinhos: mapeie a rua, com calçadas largas, canteiros vazios, fios e postes; fale com a prefeitura, porque muitas cidades doam ou plantam a muda e escolhem a espécie; combine um mutirão, com covas, terra boa, tutores, fitas de borracha e água; divida o cuidado, cada casa rega a árvore da sua frente; acompanhe e registre, com fotos de cada muda uma vez por mês.
Do pedido à prefeitura ao cuidado de cada muda.

O mutirão

Com o mapa da rua que você começou no primeiro capítulo, dá para reunir os vizinhos e pedir várias mudas de uma vez. No dia do plantio, cada um traz uma ferramenta, um balde, borracha de câmara de pneu. Abrir covas na calçada dá trabalho, e em grupo vira festa. O mais importante vem depois: combinar quem rega cada muda. Uma regra simples é cada casa cuidar da árvore da sua frente, e um grupo de mensagens ajuda a lembrar nos dias de calor.

Vídeo: O plantador de árvores que criou floresta no meio do entulho em São Paulo · BBC News Brasil · 6 min

Praças, escolas e terrenos

Nem toda árvore precisa ir na calçada. Praças, pátios de escola, canteiros centrais e áreas verdes têm espaço para árvores grandes e frutíferas, que o guia de Jacareí recomenda deixar para esses lugares, sempre conversando com quem vai conviver com elas. Ali também cabem os jardins para abelhas, e pequenos bosques com muitas espécies juntas. No próximo curso, Plantar uma floresta, você vai ver como plantar árvores em grupos que imitam a mata.

Aprender com a rua

O guia de Jacareí lembra que ainda se sabe pouco sobre muitas espécies nativas na cidade, e sugere plantios experimentais numa quadra ou num trecho de rua, para acompanhar como elas se comportam. Um grupo de vizinhos pode fazer isso: fotografar as mudas todo mês, anotar o crescimento, a floração e os problemas, e mandar essas observações para a prefeitura. Assim a rua vira uma escola de arborização.

Você sabia?

O guia de Jacareí sugere usar uma só espécie em cada rua, ou em cada lado da rua, ou num conjunto de quarteirões, e variar as espécies de uma rua para outra. Isso facilita a manutenção e mantém a variedade na cidade.

Na prática

Comece um plantio na sua rua:

  1. Converse com três vizinhos e mostrem juntos o mapa das calçadas sem árvore.
  2. Peça as mudas ao viveiro ou ao setor de arborização da prefeitura, com a lista de endereços.
  3. Marquem o mutirão e combinem, antes de plantar, quem vai regar cada muda.

Fontes

  1. Prefeitura de Piracicaba, Sedema. Cartilha de plantio de árvores. Prefeitura de Piracicaba (SP), 2018.
  2. Prefeitura de Londrina, Secretaria Municipal do Ambiente. Arborização urbana: plantei, e agora? (folheto). Prefeitura de Londrina (PR), s.d..
  3. Prefeitura de Jacareí, Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. Guia de plantio de árvores em calçadas. Prefeitura de Jacareí (SP), 2026.

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Onde conseguir uma muda para a calçada?

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